Anoiteceu, mas de uma maneira mais brusca em comparação a noite anterior. Poderia ser apenas uma sensação mundana imergindo. Um sentimento de melancolia que anda de mãos dadas com a felicidade. Tão irônico que beira a redundância. Mas no final era apenas o tempo exercendo seu papel e caminhando em direção ao adeus. Nem mesmo Yves sabia se era um adeus físico ou sentimental, mas ambos acabariam da mesma maneira.

Yves deixava para trás não algo, mas alguém. Um apego quase impossível de se deixar para trás. Essa era Alexa, um desencontro que produziu um grande encontro. Longe de ser um escape, alguém para suprir uma carência ou um vazio em especial. Apenas o amor pela sua presença. Talvez aí estivesse a fórmula para o sucesso, uma relação sem pretensões, mas baseada na espontaneidade e sinceridade. Sem máscaras, mas apenas os dois em pura ligação.

Ambos nunca foram destinados, mas sim uma bela tragédia. Afinal, do que adianta amar se o estar junto fica fora de cogitação? Talvez não fosse para acontecer, mas carinho igual não poderia haver.

Nada disso mais importava, tanta subjetividade e orgulho sob uma conduta de medo. Talvez fosse a hora de contar tudo para Alexa. Yves estava longe demais, mas ainda poderia ser corajoso como nunca foi. E assim aconteceu. Alexa mal esperava, mas a verdade chegou. Talvez não da maneira romantizada através de belas palavras de baixo da chuva, mas por uma carta sincera, sentimentalista e bagunçada. O reflexo literário de sua própria relação.

“Oi, estranha…assim eu te chamei pela primeira vez. Afinal, você era estranha, mas um bom estranho, sempre se destacando do resto. Trago esse monólogo para expressar a saudade que já sinto de você. Difícil não ser simples, meloso ou clichê. Mas precisamos desse mal de vez em quando.

Me lembro como sempre pareci uma criança sob meus joelhos te implorando para me mostrar o seu mundo. Te admirei, respeitei e confiei. Talvez isso seja o amor, um ato de devoção vindo do ser humano, a raça treinada ao egoísmo. Só queria te conhecer novamente, viver tudo de volta. Nem percebi quando e como você chegou, mas foi uma sensação feliz demais para não te aceitar como moradora no meu coração.

Erramos e acertamos, o ciclo natural do ser humano. Evitarei de usar complexidade, mas pela primeira vez serei pontual e sincero, como o amor deveria ser. Sendo assim, queria te lembrar que mesmo não estando aí, sei que você está maravilhosa. Como? Não preciso te ver para confirmar algo que já é certeza absoluta. És maravilhosa, sem mais e sem menos. Complicada e longe da perfeição, mas sem dúvidas a minha imperfeição favorita.

Se não te falei isso antes com tanta clareza, fui burro. Me arrependo. Talvez custe de fato caro e fique procurando você em todas as mulheres. E eis a outra fatalidade, você é peça única. Fui orgulhoso e medroso. Não posso ter medo da pessoa que mais confio e quero perto para conversar sobre os assuntos mais banais da vida. Queria poder te falar tudo isso, mas frente a frente. Sei, a gente se distanciou, tudo se complicou. Quem sabe no futuro? Pois nos sonhos já me sufoco em seu perfume. Mas só quero te ver feliz, livre.

Estou longe, mas sou muito grato por você. Espero poder te rever, para juntos rodopiarmos e buscarmos tudo que é belo e vulgar. Afinal, como não lembrar do seu sorriso alegre e tímido ao som de Cícero. Mas não importa com quem esteja ou onde esteja, não se esqueça de algo. Amar é tanto ficar como ir embora.

Alexa, você é incrível e não ouse mudar isso. Nunca.”

 

Posted by:Victor Hugo

Just a mad man with a box.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s