Encoste sua cabeça no meu peito e eu irei te esconder do mundo sob minhas mãos cadavéricas e brancas como a neblina, cantarei – desafinada – tudo o que sinto por você e por esse sotaque ridículo que você carrega. Te mostrarei minhas melhores fotos e as piores também, partilharei do meu gosto musical e guardarei suas músicas entre as minhas na biblioteca do Spotify. Pintarei mais quadros para você e colocarei mais laços amassados em cima deles, tentando te mostrar que sou um desastre até em querer te presentear com uma partezinha minha.

Eu sou uma bagunça ambulante das grandes e você tem o conhecimento disso, assim como tem conhecimento sobre cada fossa obscura que eu tampo com band-aids e orgulho. Não sei o que fez ou como conseguiu que eu retirasse esses curativos sujos de sangue e te mostrasse cada cicatriz que carrego por esse corpo pequeno. Assim como você, que se mostra do seu jeito e faz com que eu sinta vontade de te colocar debaixo desse meu corpo que não te caberia, mas que eu tentaria a todo custo, proteger desse mundo corrosivo.

Você fere meu orgulho ao agir desse jeito tão seu: único e imprevisível. Você me fere só por ser você e isso me impressiona. E assusta. Mas é aí que nasce meu problema, sentir algo por alguém que está preso emocionalmente a alguém. Eu não me arrependo em sentir, aliás, muito pelo contrário, eu gosto de sentir o frio na barriga pela manhã antes de olhar se tem mensagens suas e a ansiedade em esperar aquele “oi” único, ou qualquer fato bobo do seu dia. E essas borboletas voam de mim e se estampam em sorrisos bobos pelo vazio do meu quarto.

Gosto de te mostrar minhas fotos e falar delas, assim como gosto quando me mostra as suas e sei que sou um tanto quanto especial por ter a honra de vê-las. Assim como me sinto sobre você em relação a cada pequeno grandioso fato caótico da minha existência, que jogo em seu colo e sei que guardará em seu bolso, com todo esse zelo que você tem por mim. Assim como todo esse cuidado que tenho por você, que chega a ser cômico aos meus olhos se importar tanto assim com alguém.

Não me arrependo do dia em que ousei dizer que sentia algo por você, mas me arrependo por me tornar um empecilho nesse sentido, porque céus!, não consigo te tirar da minha cabeça desde então e isso está me matando. Tirei um peso das costas para colocar outro: o de me tornar alguém que te enxerga nas pequenas coisas e sente vontade de correr para os seus braços e dizer cada uma delas. E sei que você ouviria de bom grado.

Respeitarei seu momento – mesmo ele não sendo o mesmo que o meu – e agradecerei ao meu coração por me fazer gostar de alguém como você: tão azul e único. E estarei aqui, te observando se tornar tudo o que penso ao seu respeito e me sentir grata por tê-lo em minha vida. Torcer por você e por ela e te amar apenas por me amar da sua maneira.

Enquanto isso, continuarei sentada na escrivaninha com meus copos de bebidas baratas e o olhar sonhador sob seu quadro. E você.

Eu te amo. Com todas as malditas letras e complicações.

Posted by:Malu Reining

uma nada extraordinária garota

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