França, 2016
Amelie. Amelie. Amelie

Não é você a Amelie? Sente-se aqui. Tome disso. Ouça isto. Quer um trago desse? A vida aqui é boa, Amelie. A arquitetura é bonita, o café é quente ao ponto de aquecer até as almas mais frias. Como a sua, menina.

Olhe! Sabe aquela senhora de casaco verde? Todo dia ela compra o jornal, pega a última folha e faz uma flor. Como? Eu não sei. Mas ela o faz e a joga fora. A vida é assim, né? Tão clandestina… Dá uma pena, fazer algo tão bonito e jogar no meio de todo aquele lixo. Não seja boba, pegar coisas do lixo? Amelie! Na França não nos intrometemos na vida alheia.

Mais café? Não? Como não? Meu café é o melhor de todo o Tartre. Talvez você que seja tão amarga que seu corpo não reconhece mais o sabor do próprio veneno. Vinho. Seu batom é vinho. Combina com o branco e o rosa do seu rosto, mas suas mãos são azuis. Isso é frio? Amelie sente frio! Pobre menina, está congelando aqui fora e eu lhe prendendo em toda essa conversa, odeio falar da vida alheia. 

Bonjour, Amelie. Volte ao Tartre sempre que quiser mais um café. Ou uma dose de amargor pelas tardes insossas da França.

Amelie.

Eu te vi pegando a flor do lixo.

Posted by:Malu Reining

uma nada extraordinária garota

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