Quem era Anna Karina? A musa do cinema francês? Talvez fosse tudo isso e mais um pouco. Não estou falando de Anna Karina, aquela Anna Karina. Estou falando da minha Anna. A mesma que me fez uma espécie de Godard, tirou-me de qualquer mesmice sentimental pálida, costurando uma vontade incansável de registrar seus passos como se fosse um filme, ou película em espanhol. Não era uma modelo e muito menos uma atriz, mas para mim era muito mais que isso.

Nunca sonhei com ela, imaginei ou muito menos criei ela em um roteiro monótono em suas diretrizes trágica. Ela não era monotonia, mas sim uma bagunça. Algo que ao invés de incomodar, acabava por cativar ainda mais. Como um próprio Paul Smith, veio pronta e feita a mão. Mas como tudo que é manufaturado com cuidado, ela parecia pronta pra tudo, mas no fim das contas era extremamente delicada.

Um ponto de arte lá no canto onde ninguém se atreveu a chegar ou capaz de entender ao certo. Era como uma arte, algo pessoal e introspectivo que não foi feito para tudo e todos. Quem era capaz de entender saberia o quão lindo ela era. Amor não é razão e compreensão, mas sensibilidade e cuidado.

Longe de ser perfeita. Era linda -algo que ferve a ética da sedução, sendo ela externa ou interna-, mas cada um com uma perspectiva até mesmo pontual. Era intrigante dos pequenos pés até o mais fino fio de cabelo. Curto e com franja.

Anna é complicada. Gênio forte e levemente orgulhosa. Afinal, une femme est une femme. Era a flor da pele quando queria. Sentimental, mas escondia. Era sua proteção, uma fortaleza de imensidão sem razão de mensurar. Se reprimia, se escondia. Era uma pena, pois como um ser tão lindo poderia se esconder assim. Deveria se mostrar, alguém iria aparecer para lhe amar a altura.

Tudo isso estava em seus olhos, os mais lindos. Eles falavam coisas que não existiam sinônimos ou frases para explicar. Era um espaço entre eu e ela, dentre o silêncio um grito. Nosso amor, nossos pensamentos entrelaçados. Se conhecíamos de uma maneira  sem se avisar ou ensinar. As vezes certas coisas não se encaixam dentre a compreensão

Ela sabia quem era, mas como uma atriz, precisava interpretar infinitas personalidades. Todas eram belas, pois no final das contas tinham um pouco da verdadeira Anna. Quero um dia ter o prazer de lhe conhecer em seu estado mais belo, sensato e vulnerável. Tão linda…suas costas eram tortuosas como uma cordilheira, o mesmo lugar onde meus pensamentos se perdiam dentre suas curvas.

Era a clara definição de prazeres desconhecidos, uma grande desordem, mas que no conjunto da obra é um clássico. É a veste que faz-te volver que me envolve e verte afeto e amor. Era uma futura mulher, uma grande mulher. Criavam várias versões e significados para Anna. Nada disso realmente importava, mas sim que era ela que eu gostaria de me inspirar. Ser a minha arte e dela fazer arte. Mas de qualquer jeito, a vida com ela já é arte.

Posted by:Victor Hugo

Just a mad man with a box.

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