Amor.

Palavra com quatro fonemas. Todos eles representados pelo som do meu coração quando te vê. O amor é só uma palavra, segundo o livro que tenho na estante capenga da minha sala caquética. Mas, amor é o que me veste de manhã, quando seus braços me apertam contra seu corpo quente. É o que me acalma na dor e caos de cada dia e o que me desmonta todas as noites em frente de seus olhos selvagens, que devoram meus anseios e mastigam meu juízo mal articulado. Amor é a forma como nossos corpos irregulares se encaixam na mais imperfeita sincronia morfológica.

 São tantas variações constantes de interpretações, sentidos e jeitos, que, talvez o amor seja realmente apenas uma palavra sintaticamente ligada a algo muito maior.

Como as manhãs onde o céu se pinta de rosa e lilás; as flores amarelas daquele bistrô na Avenida Portugal; as janelas velhas e quadradas que se contrastam com o verde das árvores da biblioteca municipal; as canetas que compro em tons pasteis e fico admirando-as nas cartas que te escrevo; o perfume de cerejeira que evapora quando estou no banho e o banheiro se transforma em um jardim do Japão; passar tinta a óleo numa tela em branco e de rabiscar flores feias em post-it. 

Filosofia e sociologia estão entre meus tópicos, e de debater política em bares da Augusta quando eu, definitivamente sei, que não estou sóbria. Mas te mandar mensagem piradas sobre minhas teorias políticas e questionar se o Dória na verdade é daltônico, e só pintou a 23 de Maio por sentir inveja de não enxergar todas as cores lindas que coloriam nossa cidade cinza. Mas, na verdade, ele deveria me invejar, porque é em você que eu vejo a mais variada paletas de cores que os olhos de alguém teriam a honra de enxergar. 

Cinema, exposição, museus, cafés, Frank Ocean e The Neighbourhood e Rubel, história do Brasil, filmes ruins, pulseiras e vinis talvez se encaixem no fonema amor que tanto insisto em dizer que é só uma palavra. Um fonema que dói toda vez que te vejo encostar a porta do meu apartamento nos fins de domingos chuvosos. 

Minha lista é finita, porém extensa. E você já sabe de cada fonema, sílaba, palavra e junções ortográficas e gramaticais, e deve saber que, te amar não é só uma palavra e, tampouco, nesse mundo cheio de dores e fonemas vazios, não dói. E meu peito grita cada letra do teu nome quando te vê. Acompanhada dessa palavra.

Amor.

Posted by:Malu Reining

uma nada extraordinária garota

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