Vou ser sua respiração entrecortada no meio da madrugada fria, quando teu corpo enlaça o meu em um nó de pernas, braços, dedos, beijos e olhares. Sou o corpo que você tateia como quem anda no escuro: em ritmo lento e com cuidado. 

Passeando seus dedos por toda minha derme que pede pelo teu toque suave e selvagem, o agridoce que eu gosto de provar na ponta da língua enquanto sinto todo meu corpo entrar em combustão. 

Escrever no teu corpo o poema mais curto e profundo: nós. E deixar ali gravado o meu toque, sabor, cheiro, sons e calor. E, em todas as noites, ler para você tudo aquilo que está escrito no meu peito, colado com o teu, subindo e descendo numa frequência que só nós dois temos. 

Memorizar teu gosto com cada canto da minha boca; teu toque em cada lóbulo do meu cérebro; teus sons em cada curvatura do meu ouvido, tocando como uma melodia em meus tímpanos; tua pele em contrato com a minha e saber de cada centímetro que compõe você. Memorizar você para nunca mais esquecer.

Porque somos a oposição da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.

Mas você me ocupa inteira. Do âmago para a epicarpo. E do epicarpo para a derme que tanto te pede. 

Nós somos o frenético ritmo de duas respirações entrecortadas em um nó apertado de corações. 

Posted by:Malu Reining

uma nada extraordinária garota

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